Por que terminei o namoro?

28 de setembro de 2026

Não terminei por conta da minha profissão. Aliás, a minha profissão nunca foi o problema. O problema era muito mais sutil.


"Às vezes a gente fica pensando que está sendo amado, que está amando e que encontrou tudo o que a vida podia oferecer. E em cima disso a gente constrói os nossos sonhos. Os nossos castelos. E cria um mundo de encanto onde tudo é belo. Até que a mulher que a gente ama, vacila e põe tudo a perder. E põe tudo a perder..."


Eu fiquei procurando um motivo. Um motivo para não fazer esse texto. Um motivo para manter contato. Um motivo para terminar. Esse texto vai ser uma continuação da música "Me dê motivo" do Tim Maia.


Quando conheci o meu ex, ele fazia tudo para me ver feliz. Eu estava encantada! Nunca recebi tanto afeto de um homem. Como eu não poderia aceitar seu pedido de namoro? Além de tudo, além de me fazer feliz, ele compreendia o meu trabalho e não implicava com isso. Era a realização de um entendimento para mim: uma puta pode namorar. Uma puta pode ser feliz. Uma puta pode ser amada. Eu estava sendo. Me sentia sortuda. Eu já sabia que seria possível um homem me amar mesmo que eu trabalhe com sexo, mas quando aconteceu, foi mágico. Confesso que no começo eu não estava a fim de me relacionar, mas me abri pela possibilidade, principalmente porque ele aceitava o que eu fazia. E se eu fosse muito feliz nesse relacionamento?


Duas semanas depois de me pedir em namoro,

ele foi esfriando,

foi ficando distante,

foi diminuindo o que fazia por mim,

eu comecei a ter crises,

onde estava aquele homem que eu conheci?

Eu cobrava dele,

uma resposta,

um motivo,

por que você mudou?

Você tentou me conquistar e mudou quando conseguiu o título de namorado?

Ele dizia que não,

que não era isso,

ele não sabia me explicar,

ele não sabia me dar motivo,

eu fui ficando mais chata,

cobrando mais,

cobrando mais,

e mais,

até que me cansei.

E terminei.


Ele me recebia com flores toda vez que me encontrava. Então ele começou a esquecer as flores. Ele dizia que estava com saudades a semana inteira. Então ele parou de dizer. Ele dizia que me amava todos os dias. Então ele não dizia que me amava há mais de 10 dias.


Houve dois episódios muito emblemáticos: um final de semana, em que ele já estava distante, ele veio na minha casa e começou a dizer que estava com saudades da mãe e da sobrinha, sendo que ele praticamente mora com as duas. Ele mexia muito no celular (sendo que antes praticamente não pegava na minha presença). Fomos nesse dia ao cinema. No final da sessão, ele simplesmente se calou e não falou comigo. Perguntei se estava tudo bem e ele respondia que sim. Quando entramos no Uber, ele puxou muito assunto com o motorista. Fiquei com uma raiva. Sim, fiquei com uma raiva infantil. Naquela hora, eu sentia que ele preferia falar com o Uber do que comigo. Perguntei diversas vezes quando chegamos em casa o que estava acontecendo. E ele só sabia dizer que não estava acontecendo nada. Ele não me dava motivo. No domingo, ele disse que precisava ir embora para "ficar sozinho". Ali eu desabei de chorar. Percebi que alguma coisa estava acontecendo. Eu sentia que algo estava errado. Ele já não tinha mais vontade de ficar comigo como antes. Brigamos nesse dia e depois ele enviou flores para a minha casa. Pensei "ah, então vamos voltar a ser o que éramos".


No outro final de semana, fomos ao Shopping, porque eu sugeri. Se dependesse dele, a gente não fazia nada. Não ia para lugar nenhum. Não transava. Não conversava. Eu que sempre tinha que ter iniciativa, puxar assunto, sugerir lugares. Eu sempre produzia felicidade na relação. Eu sempre produzia o caos. Eu sempre produzia tudo. Ele não produzia nada. Tanto faz. Nesse dia do Shopping, sentamos para tomar um café e ele literalmente não falava nada comigo. Eu via as pessoas ao redor. Parecia que eu estava em um filme. Elas interagiam, conversavam, riam. E eu estava namorando um homem que não era capaz de perguntar o que eu estava pensando.


É importante frisar que eu me tornei chata, cobrando atenção e que me culpava por isso. Eu achava que o problema do relacionamento estava em mim. Cheguei a comentar com uma amiga e ela disse simplesmente para eu parar com isso, senão eu perderia "uma pessoa que estava me aceitando". Como se ele fosse o único homem que me aceitaria. No fundo, eu achava que era a verdade. Então fui me espremendo, e ficando com raiva de mim mesma. Eu não estava aguentando. Eu precisava ser sincera comigo mesma. Eu não tinha motivo para reclamar? Nem que eu ficasse sozinha para sempre, eu precisava terminar. Eu precisava. Eu precisava. Ou eu ia me terminar. Eu não estava sendo sincera comigo mesma.


Em um dia, dessa mesma semana, em um momento de raiva, eu terminei o relacionamento. Por mensagem. No WhatsApp. Da forma mais porca possível. Nojenta. Enfiei as coisas dele que estavam na minha casa em um saco de lixo. Enfiei as alianças e o colar de aniversário que ele me deu no saco também. E entreguei pela Uber.


Depois fiquei mal pelo que fiz e quis encontrá-lo para a gente ter um encontro pessoalmente e encerrar de forma amigável. Mas ele não falava quando podia me ver. Ele mal me respondia. Mas quando eu parava de respondê-lo, ele vinha atrás de mim. Por que ele não me deixava ir?


Conseguimos combinar um teatro. Pensei que agora daria certo. Até que um dia antes do encontro ele fica sem responder, eu, muito brava com essa distância toda (motivo da gente terminar), começo a reclamar com ele e ele responde que já não está mais com vontade de me ver, porque eu o cobrei.


Aí eu volto a ser aquela pessoa que implora por atenção. Convenço ele de me ver no dia seguinte. Uma hora antes de eu sair de casa, ele me diz que está com diarréia e que não poderia ir. Poderia ser verdade? Sim, mas o que importava? Eu já estava desgastada, mandei ele tomar no cu e bloqueei. Eu estava cansada, cansada de estar presa na fantasia de um homem que poderia me amar. Presa em uma possibilidade. Doeu. Doeu muito. Eu chorei escutando "Me dê um motivo", porque eu queria um. Eu queria um motivo para tirar ele da minha vida. Ele não me traiu, não foi agressivo nem fez algo grave. Ele só não soube me amar como eu gostaria. Isso é motivo para terminar?


"Agora é tarde, não tem mais jeito. O teu defeito não tem perdão".


Me arrumei enquanto sangrava. Enquanto chorava porque eu perdi. Eu perdi uma pessoa que sequer existiu. Ele me disse que estava depressivo e por isso mudou. Talvez ele seja uma pessoa deprimida e, quando me conheceu, ficou animado. Depois que passou a euforia, ele voltou a se padecer. Ele voltou a sofrer por algo que não sabe nomear. E me fez sofrer. Ele não daria conta de um relacionamento. Mas achou que sim. Enquanto eu quase vomitava de chorar, fiz uma maquiagem. Saí. Fui ao teatro que tínhamos combinado, sozinha. Fui em um café. Fui em uma exposição. Uma moça disse que eu estava linda. Será que ela percebeu que eu precisava ser vista naquele dia? Tive um dia feliz. Um dia infeliz. Um dia no centro de São Paulo que sempre me causa essa dualidade, porque enquanto eu estava feliz, tinha uma pessoa revirando o lixo do meu lado. Um dia bonito e decadente. Um dia em que eu decidi sair de uma relação com um homem potencial. Eu desejava que ele melhorasse. Me perdoe, que Deus me perdoe, mas eu tinha raiva dele ser depressivo. Na minha cabeça, era só ele melhorar. Sim, só melhorar, e aí poderíamos ficar juntos. Queria que a vida fosse mais fácil. Queria que ninguém precisasse revirar o lixo para comer. Queria poder ajudá-lo. Mas ele mal queria falar comigo. Eu lutava para ter um espaço na vida dele. Fiz isso por algumas semanas e cansei. Não tenho sanidade mental para forçar o outro a me amar. Alguém vai me amar. E vai ser fácil. Se ninguém me amar, não tem problema, eu fico sozinha. Não tenho medo da solidão. Tenho medo de viver uma vida apequenada.


Eu sentia que algo estava errado nesse relacionamento, mas colocava a culpa em mim. A errada era eu por cobrar. Eu era a chata. Eu queria um motivo que justificasse o fim. Ele estava me perdendo e não fazia nada. Isso doeu muito. Confesso que me senti usada, como se ele tivesse me tratado como um troféu. Depois que me pediu em namoro, mudou completamente. Mas prefiro acreditar que eu consegui perceber a dinâmica cedo. Os motivos não importam. Eu nunca vou saber o que ele fez. Eu nunca vou saber o motivo dele ter me pedido em namoro nem o motivo de ter mudado. Mas eu sei o meu motivo. E eu sei que a vida é muito curta para convencer o outro a me amar.


Me Dê Motivo

Tim Maia


É, engraçado

Às vezes a gente sente, fica pensando

Que está sendo amado, que está amando

E que encontrou tudo o que a vida podia oferecer

E em cima disso a gente constrói os nossos sonhos

Os nossos castelos

E cria um mundo de encanto onde tudo é belo

Até que a mulher que a gente ama

Vacila e põe tudo a perder

E põe tudo a perder


Me dê motivo pra ir embora

Estou vendo a hora de te perder

Me dê motivo, vai ser agora

Estou indo embora, o que fazer?


Estou indo embora, não faz sentido

Ficar contigo, melhor assim

E é nessa hora que o homem chora

A dor é forte demais pra mim


Já que você quis assim, tudo bem

Cada um pro seu lado, a vida é isso mesmo

Eu vou procurar e sei que vou encontrar

Alguém melhor que você

Espero que seja feliz no seu novo caminho

Ficar contigo não faz sentido, melhor assim


Me dê motivo, foi jogo sujo

E agora eu fujo pra não sofrer

Fui teu amigo, te dei o mundo

Você foi fundo, quis me perder


Agora é tarde, não tem mais jeito

O teu defeito não tem perdão

Eu vou à luta, que a vida é curta

Não vale a pena sofrer em vão


Pode crer, você pôs tudo a perder

Não podia me fazer o que fez

E por mais que você tente negar

Me dê motivo


Pode crer, eu vou sair por aí

E mostrar que posso ser bem feliz

Encontrar alguém que saiba me dar

Me dar motivo

É, me dar motivo

Meus amores, passei um mês muito difícil. Depois que terminei o namoro, entrei em uma fase depressiv
Por Sol Rara • 30 de outubro de 2026
Meus amores, passei um mês muito difícil. Depois que terminei o namoro, entrei em uma fase depressiva. Acho que estava processando. Não consigo chorar, não consigo sentir as minhas emoções, então quando fico muito triste, eu me deprimo. Esse foi o motivo também de eu ter me afastado do blog. Eu
Nesse encontro, aconteceu um imprevisto, que já tinha acontecido em outro encontro nesse ano. Nesse
Por Sol Rara • 12 de outubro de 2026
Nesse encontro, aconteceu um imprevisto, que já tinha acontecido em outro encontro nesse ano. Nesse ano, eu fiz um encontro em que quando olhei para a camisinha, tinha um gozo para fora dela. Me assustei. Falei para o cliente (ele já tinha terminado de gozar e vi esse gozo depois que acabou a relação) e ele ficou deses
Meus amores, tenho um babado fortíssimo para compartilhar com vocês: na quarta-feira, dia 23, saí co
Por Sol Rara • 25 de setembro de 2026
Meus amores, tenho um babado fortíssimo para compartilhar com vocês: na quarta-feira, dia 23, saí com um famoso. Não é a primeira vez. Nesse 1 ano e 9 meses, saí com os outros dois "famosos"; pessoas influentes. Um era empresário e primo de um político superconhecido, o outro era dono de duas redes alimentícias bem con
Quantas coisas eu serei nessa vida? Eu tenho necessidade do grande desde pequena. Desde criança, eu
Por Sol Rara • 5 de setembro de 2026
Quantas coisas eu serei nessa vida? Eu tenho necessidade do grande desde pequena. Desde criança, eu fazia assim a minha oração para Deus: papai do céu, me dá uma vida grande. Eu não gostava da minha vida. Definitivamente, não gostava. Todos os dias eram iguais. Minha mãe me maltratava, meu pai acobertava, eu era a melh
Comecei a namorar e alguns clientes acham que não vou mais atender. É curioso a reação das pessoas.
Por Sol Rara • 20 de agosto de 2026
Comecei a namorar e alguns clientes acham que não vou mais atender. É curioso a reação das pessoas. Tem gente que me pergunta se ele sabe, e eu fico pensando o quanto deve ser difícil esconder do que a gente trabalha para alguém. Eu deveria esconder? Tem gente que me pergunta se ele aceita, mesmo depois de eu dizer que
De repente, comecei a namorar. Sumi do blog porque estava vivendo. Conheci um cliente, a gente se co
Por Sol Rara • 8 de agosto de 2026
De repente, comecei a namorar. Sumi do blog porque estava vivendo. Conheci um cliente, a gente se conectou bastante, até que ele começou a fazer parte da minha vida, por fim, me pediu em namoro, e eu aceitei. É estranho dizer isso para mim mesma, que estou namorando. Eu não imaginava isso. Eu não esperava por isso. Não
Convidei o cliente para ir a uma festa comigo. Era uma festa temática da Lana Del Rey. Eu adoro essa
Por Sol Rara • 10 de julho de 2026
Convidei o cliente para ir a uma festa comigo. Era uma festa temática da Lana Del Rey. Eu adoro essa cantora, mas nunca tinha ido em um lugar que só tocasse ela. Me desafiei a ir. Não queria, ah, não queria. Não queria ver várias pessoas. Preferia continuar me isolando. Mas me desafiei, pensei "e se eu comprar o
Por Sol Rara • 29 de junho de 2026
"Tô querendo largar essa vida, e você parece ser a pessoa certa pra fechar com chave de ouro", foram as suas primeiras palavras quando quis me contratar. Fiquei meio chocada. Pensei "será que ele está querendo encerrar sua vida?", depois fiquei com a hipótese de que ele queria parar de sair com garotas de programa – e
Vou dar a minha segunda entrevista em menos de 2 meses! Como eu me sinto? Sei lá... A minha primei
Por Sol Rara • 26 de junho de 2026
Vou dar a minha segunda entrevista em menos de 2 meses! Como eu me sinto? Sei lá... A minha primei
“Eu não gosto de usar brinquedos, mas obrigada pela abertura”, e assim se iniciou o nosso primeiro e
Por Sol Rara • 21 de junho de 2026
“Eu não gosto de usar brinquedos, mas obrigada pela abertura”, e assim se iniciou o nosso primeiro encontro. Combinamos de ficar por três horas juntos, no Lush, motel que tanto gosto. Conversamos bastante, eu contava da minha vida e o ouvia falar sobre ele. Quando fomos para a parte sexual, ele estava um pouco nervoso.
Leia mais