Primeiras vezes
21 de junho de 2026
“Eu não gosto de usar brinquedos, mas obrigada pela abertura”, e assim se iniciou o nosso primeiro encontro. Combinamos de ficar por três horas juntos, no Lush, motel que tanto gosto. Conversamos bastante, eu contava da minha vida e ouvia ele também falar da sua. Quando fomos para a parte sexual, ele estava um pouco nervoso. Eu não tinha conseguido gozar, e ele parecia querer me ver gozar. Isso foi em janeiro. Em junho ele me procurou de novo.
– E os presentes? Tem usado bastante? Se a gente se encontrar você precisa levar!!
Depois do encontro de janeiro, ele comprou 2 vibradores para mim, porque percebeu a minha necessidade de me explorar. Eu entrei nessa profissão para me descobrir sexualmente, mas ainda carregava travas, que me impediam, por exemplo, de me explorar com os brinquedos. Ele disse que já tinha presenteado várias mulheres com vibradores, e queria me presentear também. Eu aceitei. Confesso que eu tinha um pouco de preconceito. Será que eu iria gostar? Eu tinha um consolo e já me divertia com ele, mas um vibrador seria diferente. Das duas, uma: ou eu ia gostar muito, ou não faria importância…
Os vibradores chegaram. Eu fui correndo experimentar. De primeira, achei estranho. Depois fui sentindo algo diferente até que gozei bem rápido! Das outras vezes, tentei mais vezes e gozei várias vezes no dia, um dia ejaculei e no outro tive squirting. Achei maravilhoso! E até usava os vibradores quando não estava me sentindo muito bem no dia. O engraçado era que depois eu realmente ficava melhor! Afinal, para mim uma das melhores sensações da vida é gozar.
Cheguei a dizer para ele que gostei dos vibradores, mas não contei toda a descoberta sexual que eu tive. Nesse encontro, ele queria que eu os levasse. Marcamos no Lush novamente. Quando eu cheguei, ele me perguntou como eu estava e fui logo contando de toda saga que tenho tido com a minha cachorra (quem me acompanha no Instagram vai saber). Acho que desabafei com ele porque no último encontro comentei sobre ela também. Falamos bastante, mas ele quis mudar de assunto, com razão, para falarmos de coisas mais leves. Enquanto isso, a gente se acariciava, até que ele tocou em um ponto.
– Eu achei que você iria escrever sobre os vibradores no seu blog.
– Eu sempre tive dificuldade de escrever sobre coisas felizes. Por exemplo, uma vez fui ao Rio de Janeiro e senti uma paz absurda em uma praia. Eu às vezes tenho momentos que me sinto completamente feliz, mas nunca quero escrever sobre isso. A escrita nasceu para mim em um lugar de dor. Eu comecei a escrever para espantar uma paixão não correspondida de dentro de mim. Eu nunca quero escrever quando estou feliz. Parece que eu escrevo para entender a minha confusão.
Tive várias descobertas com os vibradores, mas nunca pensei em escrever. Por quê? Porque tenho dificuldade de focar no que é bom. Talvez esse foi o melhor presente que já ganhei na minha vida porque me deu várias possibilidades que não conseguia acessar comigo mesma, mas nunca escrevi sobre. E nunca nem tinha parado para pensar sobre isso. Foi através dele que pensei.
Enquanto tomávamos cerveja, eu refleti sobre a importância da terapia com ele. Disse que eu fazia terapia para ter alguém que me traduzisse, como ele sem perceber me traduziu. Porque eu precisava desse apoio, de me enxergar através do outro. Sem eu perceber, eu me sentia segura com ele. Ele acariciava as partes que queria do meu corpo, e eu não tinha nenhuma restrição. Como já contei em outros textos, tenho dificuldades com dedos na minha vagina, mas ele passava a mão na minha virilha, e eu nem ligava. Eu estava me sentindo confortável. Feliz por ele ter conseguido me ver de novo e me proporcionado momentos maravilhosos através dos brinquedos que me deu.
Eu até esqueci de cobrar dele e só me lembrei no final, pois eu estava presente. Era como se eu tivesse encontrando um amigo muito especial. Na minha cabeça, eu fingi por algumas horas que éramos namorados, porque tenho gostado de imaginar isso. Então eu estava ali como uma mulher. Foi interessante fazer isso. Não, nós nunca seríamos nada. Ele me contava da sua dificuldade de se relacionar, e eu também contava a minha. Mas na imaginação tudo pode acontecer, né?
Ele me fez um pedido inusitado:
– Eu sei que você disse que não gostava, mas e se hoje eu chupasse o seu cu enquanto você usa o porquinho (vibrador) na vagina?
Eu ri hahahaha não gosto de nada no meu cu. Tive uma experiência ruim no passado que me deixou um pouco traumatizada. Não foi legal. Depois disso não deixei ninguém tocar lá.
Mas eu estava me sentindo segura com ele.
Nós começamos a nos beijar e fomos para cama. Ele começa a me beijar por todo corpo e me chupa bem devagar, chupando os lábios, a virilha, devagar… até que um líquido sai de mim. Não sei o que é, mas entendi que o meu corpo estava gostando de receber aquilo. Então ele chupa a minha buceta. Eu peço para ir mais rápido, e a língua dele dói, tadinho hahaha mas estava bom. Ele queria me ver gozar, só que eu demoro, geralmente o cara precisa lamber bem rápido por um tempinho rs então ele repete a pergunta sobre o cu, e eu penso “por que não? Só se vive uma vez!” e aceito! Meus amores, eu aceito! E coloco o porquinho na minha buceta enquanto ele chupa o meu cu. Confesso que no começo senti cosquinhas, mas depois não senti. Só imaginava que louco era me masturbar enquanto alguém chupava o meu cu. As sensações eram boas. Rapidamente, eu gozei. Ele achava que eu nem tinha gozado, porque foi super rápido. Foi uma delícia! Diferente, intenso, estranho também. Eu fiquei com uma sensação muito boa, como se eu tivesse desbloqueando mais uma parede do sexo.
– Já percebi que esse virgindade do cu vai sair comigo, hein.
– Ahh, eu vou cobrar uns 15 mil hahaha
Depois disso nos beijamos mais e ele pede pra eu chupar seu pênis. Eu chupo, e ele fica bem duro e quer meter. Ele quis começar com a posição de 4, explico para ele que, como sou muito apertada, é melhor começar em outra posição e depois ir para essa, porque dói um pouco para mim no começo. Então ele mete de ladinho enquanto eu estou com um vibrador mais fininho, mas o meu clitóris está dolorido (fica assim depois que gozo), então não chego ao ápice de novo. Estava ótima essa posição, eu estava adorando, mas ele sugeriu mudar para a de 4. Doeu um pouco para entrar, e ele percebeu isso e disse que não queria me machucar, que era melhor fazer outra posição. Eu explico para ele que nessa posição sempre dói um pouco para entrar, mas depois passa. Mas ele ficou um pouco receoso e dizia várias vezes que não queria me machucar. Achei fofo porque nunca encontrei um homem que tivesse esse cuidado comigo. Achei que ele estava sendo muito empático. Eu não queria o decepcionar. Queria que ele gozasse também. Mas acho que ele estava tendo muita empatia por mim. A dor que eu sinto é bem suportável, é um desconforto, mas depois passa. Mas ele já não queria tentar mais essa posição. Eu chupei ele novamente para ele ficar animado e ele ficou. Eba! Então ele veio por cima (amo essa posição!) e gozou lindamente!
Depois a gente conversou e ele me explicou que talvez o jeito que eu inclino a minha coluna na posição de 4 faça doer. Eu nunca tinha parado para pensar nisso! Vou tentar deixar a coluna mais reta para ver se não dói, eu empino muito o bumbum achando que vai doer menos. Achei bonitinho ele prestando atenção em mim e me dando essa dica. Ele realmente era um homem muito atencioso.
Nosso tempo já tinha acabado, ele ficou 3 horas comigo e fez o pagamento. Nos despedimos e ele me disse que não promete me ver de novo tão cedo, pois tem as questões pessoais e psicológicas dele que às vezes o impede de socializar com as pessoas. Mas fiquei feliz que ele conseguiu me ver. Eu ultimamente também tenho estado em uma fase mais depressiva e estou tentando dia após dia me reerguer. Esse encontro veio em uma hora muito boa. Juro que fui para a casa super feliz porque consegui deixar alguém chupar meu cu hahahaha acho que no fundo eu queria viver essa experiência, queria experimentar algo novo, sabe? Quando a gente está tristinho, é bom fazer algo pela primeira vez. Porque lembramos que estamos vivos. E que um dia tudo isso vai acabar. Imagina morrer e não experienciar todo o meu corpo? Eu quero experienciar todo o meu corpo. Eu quero fazer coisas pela primeira vez. Eu quero viver. Uma das coisas que mais tenho medo na vida é sentir que estou morrendo e ficar arrependida por não ter vivido. Eu quero viver. Ontem eu senti que quero demais.
Antes, eu não queria usar brinquedos, depois não queria que ninguém tocasse no meu ânus… a gente é tão mutável. Obrigada pela abertura, Sol Rara. Obrigada, universo, por me dar clientes tão generosos.










